domingo, 31 de maio de 2020

Em 2018 se tentou fazer um jornal na Mendes Viana

Capa da edição 01


Em fevereiro de 2018, os professores Fábio Carvalho e Luis Gonzaga tentaram montar um jornal para a escola Mendes Viana. Infelizmente, a publicação não saiu do primeiro número por falta de tempo e outros afazeres. A ideia era termos uma publicação mensal. O primeiro número foi feito exclusivamente por professoras e professores, mas se pensava em tornar o jornal um campo cada vez mais dominado por alunos. 
A primeira edição saiu em 08 de Fevereiro de 2018. Alguns números foram impressos e distribuídos por todas as turmas. Ficou disponível um link na página do Facebook para download da edição em pdf.
Confira a edição completa no link para download abaixo!


Link: https://drive.google.com/file/d/1gvFIcppfDkEPA11w8xguvZA6ayxXVVtE/view?fbclid=IwAR3eWMdarbbYL5p-0U-l9dNkKDwbnEW0AwVfY9k26odIUbpYGu23DrvZM9U


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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Um ano da exposição "Patrimônios de Irajá, um subúrbio carioca"

 
Cartazes da exposição e alguns alunos participantes. Foto: Prof. Fábio de J. de Carvalho

Entre os dias 11 e 30 de setembro de 2018 os alunos da turma 1802 exibiram seus trabalhos na Biblioteca Popular de Irajá, a João do Rio. Ficaram expostos os cartazes com as fotografias feitas por alunos da turma 1802. Tais fotografias mostravam os olhares destas meninas e meninos sobre o que no bairro deveria ser preservado para as gerações futuras. 
Foi tudo muito bonito. A ideia era fazer os alunos pensarem o Patrimônio Cultural para além das "coisas velhas" do bairro. O trabalho, é claro, reuniu fotos da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, bem tombado com mais de 400 anos de idade, mas também trouxe a Nave do Conhecimento e um parquinho recém inaugurado, próximo ao Habib`s. 
Todo o trabalho contou com o apoio da sala de leitura através do professor Vinck Vitório. Ele auxiliou muito na montagem e estabeleceu o contato necessário com os administradores da Biblioteca de Irajá. O diretor , professor Carlos Hermsdorff, criou o convite para o evento. 
                                     

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Escola Maria do Carmo Vidigal: a "mãe" da atual Mendes Viana

Onde hoje é o conhecido condomínio 1059, na Monsenhor Félix, existiu uma escola entre os anos de 1920 e 1960. Ela se chamou Maria do Carmo Vidigal. Foi uma das poucas escolas existentes no, então, distrito rural de Irajá. Atendia boa parte da população local.
Aspecto da Maria do Carmo Vidigal
Foto: Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá- IHGBI
Durante muito tempo, a escola era conhecida por sua denominação "20-10", que se referia ao número da instituição no zoneamento educacional proposto pelo governo nos anos de 1930, quando o Rio de Janeiro ainda era Distrito Federal. No ano de 1945, é que o prédio vai receber o nome da famosa educadora da época, d. Maria do Carmo Vidigal. 
Jornais dos anos 1950 dão conta de que o prédio era uma casa alugada, segundo o jornal Última Hora de 11/03/1953, ao custo de 400 cruzeiros, no meio de um terreno amplo. Alguns dizem que era uma vacaria. Segundo o mesmo periódico funcionava nos turnos da manhã, tarde e noite e recebia 564 alunos da região. A casa estava em estado precário.
Nos anos de 1960, a escola foi transferida para o prédio de outra já existente na região: a Alfredo de Paula Freitas. Manteve independência com corpo de professoras próprio e a sra. Yvone Pacheco se manteve como diretora da instituição. 
Por que brincamos que ela é mãe da Mendes Viana? Porque as primeiras professoras e diretora da Mendes, d. Yvone, vieram da Maria do Carmo Vidigal. A unidade escolar deixou de existir quando o atual prédio da Mendes Viana foi fundado na Estrada de Colégio, 940, em 1966.
Uma curiosidade: o cantor, compositor e escritor Nei Lopes, nascido em Irajá, foi aluno desta instituição de ensino na década de 1950.

Texto: Prof. Fábio de J. de Carvalho – docente de história da unidade escolar e coordenador do projeto Clube de História

Fontes:

Jornal  "Última Hora"- 11/03/1953

Revista Resenha digital n 3- set 2012 (IHGBI) disponivel em: http://resenha-digital-ihgbi.blogspot.com/ (acesso em 01/07/2018)

ELIAS, Cosme O samba do Irajá e de outros subúrbios: um estudo da obra de Nei Lopes. Rio de Janeiro: Pallas, 2005.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Série: "Conheça Irajá" - 1802 produzindo um folder sobre o bairro

Os alunos da 1802 tiveram suas aulas de História divididas ao longo do primeiro bimestre. Em dois tempos da semana tinham conteúdo relacionado à história de Irajá e no terceiro, ao conteúdo programático. Ao fim do Bimestre foram convidados a produzirem um folder, ou seja, um impresso de pequeno porte com textos curtos destinado à informativos ou publicidade, geralmente dobrável. Como este tipo de suporte é muito utilizado no turismo, cada grupo teve de fazer seu folder com informações sobre os "pontos turísticos de Irajá". Nosso objetivo foi valorizar outras partes da cidade do Rio de Janeiro, além do Centro e da Zona Sul, geralmente os únicos lembrados quando se fala em turismo pela nossa cidade. A "Ampulheta Turismo LTDA", a empresa fictícia que criamos para pensar sobre o "turismo histórico" em nosso bairro tem como slogan: ZONA NORTE TAMBÉM É RIO DE JANEIRO!
Grupos colocando a "mão na massa"
Foto: Fábio Carvalho

Apesar das dificuldades em se encontrarem informações sobre alguns de nossos "pontos turísticos" e o fato de muitos alunos não possuírem computador ou impressora, os alunos fizeram um trabalho satisfatório. 

Os melhores textos de alunas e alunos foram publicados aqui no blog na série "Conheça Irajá"!

Locais: Igreja de NS da Apresentação, Metrô (antiga Estrada de Ferro Rio D`Ouro), CEASA, EM Mendes Viana, Biblioteca Popular de Irajá - João do Rio.


Entrevista: d. Lucy Sobral, aluna dos anos 1960

D. Lucy visitando a nossa exposição em 2016
Foto: Fábio Carvalho

Quando iniciamos esta pesquisa, em 2016, d. Lucy foi uma das primeiras ex-alunas dos primeiros anos da Mendes a ser encontrada. Depois de anos foi até nossa escola e visitou a exposição sobre os 50 anos da escola e os 400 anos do bairro de Irajá. Teve um bate-papo com alunos do Clube de História e alguns funcionários e professores da Mendes na ocasião. Agora, ela resolveu nos dar entrevista e nos autorizou a publicá-la. 


Clube de História: Em que época estudou na Mendes Viana?
Lucy Sobral: Na sua inauguração[1966]. Fomos transferidos oriundos da Escola Maria do Carmo Vidigal, que naquela época ocupava precariamente o 1º turno do prédio da Escola Paula Freitas.

CH: Como era o prédio da escola?
LS: Exatamente como é hoje, porém, o terreno em sua volta era completamente livre.

CH: Como era a merenda?
LS: Uma delícia, as merendeiras eram pessoas muito amigas e apesar  das dificuldades procuravam agradar a cada um de nós com todo carinho, pois cada um tem sua preferência particular quer seja na quantidade, ou até na simples colocação de uma pitadinha a mais de sal (risos) ou açúcar.

CH: Os professores eram atenciosos?
LS: Certamente! MUITO ATENCIOSOS! Nos tratavam com muito carinho, mas não existia essa falta de respeito que vemos hoje, graças a DEUS! Era muito mais fácil pois os alunos que eram rebeldes acabavam ficando constrangidos e procuravam se moldar com os colegas se corrigindo.

CH: Como era a rotina nos dias de aula? 
D.Lucy conversando com professores e funcionários
Foto: prof.Héber
LS: Na entrada cantávamos o hino cívico,  recebíamos 1 copo de leite e íamos para as salas de aulas. Na metade do horário começava o horário da merenda,  depois partíamos para a segunda parte das aulas e, sinceramente, sair da escola era uma dificuldade. Sempre inventávamos algo para permanecer na escola.

CH: Os alunos cantavam os hinos cívicos? E o hino da escola?
LS: Sim, o hino da escola se não me engano era cantado em ocasiões especiais como, festas e aniversários. Mas, PODEM DIZER QUE SOU DOIDA, (risos) toda vez que passo em frente eu lembro que , na infância dos meus filhos e até hoje quando estou com meus netos ao passar em frente a escola, eu o canto (risos), demonstrando a eles o AMOR E ORGULHO E BOAS LEMBRANÇAS DAQUELA ÉPOCA.

CH: Qual lembrança mais viva você tem de sua época na Mendes?
LS: A dedicação de todo o corpo de profissionais que cuidava da nossa instrução , alimentação e conservação.

CH: Gostaria de deixar alguma mensagem para a comunidade escolar da Mendes de hoje?
LS: A LEI NOS DITA A CONDUTA MORAL DA HUMANIDADE, EMBORA NÃO ACREDITEMOS NAS LEIS IMPOSTAS PELOS HOMENS (POIS AS QUE POSSUÍMOS HOJE ESTÃO TODAS CORROMPIDAS). SE SEGUIRMOS AS LEIS DE DEUS AQUELA QUE DELE PRÓPRIO ESCREVEU PARA NOSSA SEGURANÇA, CERTAMENTE RESPEITAREMOS A LEI DOS HOMENS. TEMOS UMA INFINIDADE DE LEIS DOS HOMENS, AS DE DEUS SÃO SÓ 10 O QUE FICA MAIS FÁCIL.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Mendes Viana: um nome, muitas escolas...

Em 2016, em razão da comemoração dos 50 anos de existência de nossa escola, começamos a buscar organizar nossas memórias e topamos com fatos desconhecidos sobre a Escola Municipal Mendes Viana. A começar que existiram outras escolas com o mesmo nome em diferentes épocas e locais.
Tentar organizar as histórias de uma escola não é tarefa simples. Quanto mais antiga, mais desafiador é. Em geral, temos um enorme quebra-cabeças onde diversas peças ficam faltando. Há um esforço para que se consiga dar sentido às imagens incompletas que estão sendo formadas. Costuma-se comparar o historiador a um detetive pois ele busca pistas para tentar entender um passado que não foi, na maioria das vezes, o dele. Assim como o detetive procura, através de pistas, reconstruir uma cena de crime e desvendar o caso.
Placa de inauguração da Mendes
foto: Fábio Carvalho
Os jornais e os depoimentos de ex-alunos e funcionários ajudam muito na pesquisa. Além, é claro, dos documentos oficiais como Diários Oficiais, por exemplo. Pelos jornais, por exemplo,  vi referências de outras escolas "Mendes Viana" ou "Professor Mendes Viana" anteriores à 1966. O registro mais antigo que encontrei de uma escola com o mesmo nome da nossa foi no Jornal do Brasil de 06/08/1936, onde há a citação de uma Escola Mendes Viana localizada em Botafogo, mais precisamente na rua Assis Bueno, número 25.
Nos anos de 1960 há uma citação de certa escola "Mendes Viana" , mas esta se localizava na rua Toriba, em Colégio, onde hoje existe a escola Amapá. Liguei para a dita escola Amapá para ver se encontrava algum vestígio dessa Mendes Viana por lá. A funcionária que nos atendeu disse que não havia qualquer documentação referente a isso, pois alguns documentos haviam sido perdidos em um incêndio.
No jornal Diário de Notícias, em 09/10/1964, na coluna "Irajá e adjacências", há uma notícia de que estava em construção um prédio novo para a escola Mendes Viana. O administrador da XIV Região Administrativa da época afirmava que a Mendes estava com um prédio funcionando em estado precário e que estava sendo providenciada uma nova sede para esta unidade.  A notícia dá conta de que a velha Mendes precisava de reparos no telhado e de consertos na rede de esgoto e água.
Pois bem, em 1966, há a fundação da nossa atual Mendes Viana, mais precisamente em 1º de Setembro de 1966.  O Jornal do Brasil de 02 de Setembro de 1966, noticia a fundação de nossa escola:
"O secretário de educação Benjamin de Morais, inaugurou ontem em Irajá, a Escola Mendes Viana que possui dez salas de aula e está equipada com gabinete médico-dentário, duas bibliotecas e um amplo recreio com brinquedos..."
Talvez a notícia mais curiosa de nossa fundação seja a que vem do periódico Tribuna de Imprensa, de 31/08/1966, um dia antes da cerimônia de fundação:
"Ainda sem a presença do desgovernador Negrão de Lima (não quer mais aparecer em público inaugurando obras do sr, Carlos Lacerda, ora essa) , será inaugurada hoje a Escola Mendes Viana, no Irajá. A escola tem 10 salas de aula e é dotada de todos os requisitos modernos do ensino".
Alunos da Mendes Viana dos anos 1960
Foto: acervo particular prof. Luccy Lucca
Naqueles anos de 1960, o Rio de Janeiro havia deixado de ser capital federal. Agora era o Estado da Guanabara. Sim, nossa cidade era um estado independente do que chamamos hoje estado do Rio de Janeiro. Tínhamos governador e não prefeito. Carlos Lacerda havia inaugurado muitas escolas em seu período enquanto governante, pois fazia parte do plano de metas de seu governo a ampliação do sistema escolar. Mas, esse plano ambicioso não foi concluído em seu governo. Negrão de Lima, governante posterior, teve que dar fim a diversas obras e inaugurar algumas delas, o que causava certo desconforto, pois eram façanhas de seu adversário político. Por conta disso, apenas o secretário de educação esteve na fundação de nossa unidade.
Concluindo, não é possível saber, até o momento, que razões levaram ao fim da Mendes Viana de Botafogo. O nome some dos jornais, reaparece na rua Toriba e depois na atual Estrada do Colégio, 940. A atual Mendes, ao que parece, foi pensada para receber alunos de escolas que estavam em estado de conservação precário. Uma dessas escolas foi a própria Mendes Viana da rua Toriba e a outra, a antiga Maria do Carmo Vidigal, que funcionava onde é hoje o condomínio 1059.
Plano de loteamento, anos 50, da área da atual Mendes.
Não se sabia se seria uma praça, um posto de saúde ou uma escola onde se lê "jardim".
Foto: Secretaria Municipal de Urbanismo



Texto: Prof. Fábio de J. de Carvalho – docente de história da unidade escolar e coordenador do projeto Clube de História

Fontes:

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Por que a escola Mendes Viana é um patrimônio cultural do bairro?

A palavra patrimônio vêm de pater, que significa "pai", em latim. Se refere ao que o pai deixa para seu filho. Quando falamos em patrimônio cultural, estamos nos referindo a tudo aquilo que uma sociedade cria, valoriza e deseja preservar. Estamos falando aqui de festas, fazeres, monumentos, pinturas dentre outros exemplos. 
No bairro de Irajá temos um bem tombado pela prefeitura: a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação do Irajá. O templo foi fundado em 1613. Quando dizemos que ele é um bem tombado, queremos demonstrar que é protegido por lei, sendo assim não pode perder suas características históricas, devendo ser conservado e protegido como parte importante da história do bairro. 
Pedro Henrique Marques, aluno da turma 1901, 9º ano, um dos membros do clube de História em 2018 acredita que a Mendes, assim como outras escolas, são patrimônios de suas comunidades e precisam ser preservadas. 
                                                                                          
Antiga turma da Mendes - Anos 1960 (?)
Foto: acervo da escola
"A Mendes tem bastante história em 50 anos. Boas e ruins. Mas, quantas dessas histórias o tempo levou? E mesmo o tempo tendo-as levado, há pessoas dispostas a recuperá-las, pois histórias boas ou ruins guardam sentimentos que não são, ou pelo menos, não deveriam ser , descartados como lixo. Por isso essas pessoas buscam recuperá-las para não deixar o tempo levar o que o passado construiu. 
Em 50 anos tiveram muitas mudanças na Mendes Viana. Tanto na administração quanto na escola em si. A escola se renovou e se tornou uma nova escola. Uma nova Mendes Viana."

sexta-feira, 11 de maio de 2018

DESCOBERTA: localizado o livro mais antigo da Sala de Leitura!

FICHA: Livro Tombo ou Livro de Registro de Acervo  

-Data da pesquisa: dias 9 e 11 de maio de 2018.
Livro Tombo
Foto: Nayara Ribeiro


-Analisado por: parte dos membros do Clube de História de 2018, a saber: Tatiana Alves, João Dulcino, Nayara Ribeiro, Pedro Santos, Yane Alves, Jhonatan Vita (alunos da turma 1901, 9ºano).

- O que é? Caderno criado para anotar  os livros que estavam na escola entre os anos de 1966 e 1975.

- Descrição: Foi criado em 1966 e foi concluído em 1975. Possui quatro bibliotecárias - Yeddir Villaça Duarte (1966-1968), Dayse Camanzi e Marly Augusta Moraes (1969-1970), Dayse Camanzi e Vanda Vianna da Silva (1971). Até o dia 14/03/1975 foram registrados 1603 livros.

Tivemos a ideia de buscar a referência no livro e descobrir se ainda tinha algum na escola e pedimos ajuda ao professor Vitório, da Sala de Leitura. Encontramos um "Dicionário de Plantas", registrado em 1969, com o nome errado de "Dicionário de Sinônimos".
Descobrimos também que o antigo nome de nossa Sala de Leitura era "Biblioteca Monteiro Lobato".

Livro mais antigo do acervo da Mendes
Foto: Nayara Ribeiro

Capa do "Dicionário de Plantas"
Foto: Nayara Ribeiro



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Entrevista:Marcinha, de ex-aluna à funcionária da Mendes Viana

Márcia Batista, muitos anos de Mendes
Foto: acervo da entrevistada
Mais uma entrevista pensada pelos alunos do Clube de História para preservar a memória dos ex-alunos. Márcia Cristina Batista, a Marcinha, é a entrevistada de hoje. Tem uma história curiosa: foi aluna e retornou à escola como funcionária. Apelidada carinhosamente de " Tia Márcia da Cozinha", pelos alunos. Hoje trabalha no CIEP D. Oscar e é moradora atuante da comunidade do Para Pedro.

Clube de História: Em que época estudou na Mendes? 
Márcia Batista: Década de 80. Terminei em 87.

CH: Como era o prédio da escola? 
MB: Não houve mudanças na estrutura do prédio, a única coisa diferente eram as mesas do refeitório. Feitas de pedra.

CH: Como era a merenda?
MB: Muito gostosa. Tão gostosa que repetíamos. Ainda sinto o gosto ao lembrar. O filme volta em nossa memória.

CH: Os professores eram atenciosos?
MB: Todos eram atenciosos. Na verdade, existia uma cumplicidade aluno-professor, viravam amigos. Muitos até confidentes, tipo pai e filho.

CH: Como era a rotina nos dias de aula?
MB: Tínhamos horários para entrar, merendar, ir ao banheiro, aulas na quadra e muitas vezes íamos à bibliotecas. Sair mais cedo, só com autorização dos responsáveis. Quando alguém faltava iam em grupos à nossa residência saber o porquê.   
Detalhe de convite de formatura da entrevistada
Foto: Fábio Carvalho - acervo da entrevistada

CH: Os alunos cantavam os hinos cívicos? E o hino da escola?
MB: Sim, com frequência. Coisa linda! Colocávamos a mão no peito com muito orgulho, ficávamos parados, com respeito, até a bandeira ser hasteada no mastro.

CH: Qual lembrança mais viva você tem de sua época na Mendes?
MB: O dia da formatura. Tudo feito por nós e nossos pais. Uma choradeira com a música do Milton Nascimento - "Amigo é coisa pra se guardar..." [ela se refere à "Canção da América]- e nossa promessa de nunca nos esquecermos uns dos outros.

CH: Como foi ser aluna da Mendes e depois se tornar funcionária?
MB: Foi algo que não dá pra descrever, tamanha emoção. Quando cheguei no Mendes para trabalhar, subi as escadas à procura de meus mestres, até cair em si que todos não mais lecionavam. Passou um filme de quanto o tempo passou. E aquela menina que hoje se tornou mulher ( mãe de família)que sonhos e promessas feitas, algumas não foram realizadas. E o inimaginável aconteceu: voltei aquele lugar agora como adulta e muitas responsabilidades. E o tempo que estive aqui, agora nos bastidores, sempre por orgulho da minha escola, fazia e faço questão de falar: sou ex-aluna do Mendes Viana.

CH: Gostaria de deixar uma mensagem para a comunidade escolar da Mendes de hoje?
MB: Aproveitem todas as oportunidades que hoje lhe são dadas, porque hoje são melhores que as de ontem. Na minha época não tínhamos material, uniformes, tínhamos apenas sonhos. 
Convite da formatura da turma de 87
Foto: Fábio Carvalho - acervo particular da entrevistada


sábado, 28 de abril de 2018

Depoimento: John Luccock e os subúrbios


John Luccock, comerciante inglês que esteve no Rio em 1808, 1813 e 1818, deixa relatos interessantíssimos sobre os subúrbios do Rio de Janeiro, naqueles tempos chamados de "arrabaldes", de locais que hoje são bairros como a Penha, Irajá e Pavuna. Os subúrbios eram locais de passeios ao ar livre e um convite aos naturalistas e botânicos fazerem suas pesquisas. A natureza da região era belíssima. Rios limpos, árvores e frutos de todos os tipos e muitos animais da floresta ainda preservada. 

Da Pavuna e arredores, o viajante do século XIX fala de montanhas cobertas de arvoredos, lugares com muita caça, numerosas lagoas com muitas aves. Luccock relata que em pontos, às margens do rio Meriti, o solo “era extraordinariamente rico e, nos trechos suficientemente secos, produzia safras volumosas de açúcar, milho e mandioca” 
Gravura de Rugendas que nos dá uma ideia de como era a natureza dos arredores do Rio
Foto: Wikimedia Commons
Sobre a Penha e Irajá: 

“A pequena aldeia de Mariangú fica num local baixo e arenoso, semeado de charcos e, na aparência, insalubre. Cerca de duas milhas distante por detrás dela, acha-se um rochedo perpendicular de granito com mais de três mil pés de alto e em cujo cume se encontra a igreja de Nossa Senhora da Penha, constituindo linda perspectiva de vários pontos da baía e que antigamente era o cenário anual de grandes festividades. Quatro milhas mais além e pela mesma praia chata, na foz de um riacho raso mas amplo de mesmo nome, fica a aldeia do Irasá (sic). As poucas míseras cabanas que a compõem pertencem, creio eu, ao vilarejo de Irajá e se dispõem sobre um outeiro rochoso, gozando de bela vista dos estreitos e da baía. A costa pedregosa e as águas rasas devem alí criar grandes dificuldades até mesmo para canoas; daí, provavelmente, seu nome, que mais ou menos corresponde a uma exclamação de tédio.  Bem ao largo desse ponto fica a ilhota de Saqueté, que forma um belo objeto da paisagem munida, como muitas das outras ilhas, de um cais e de uma “vivenda”, em que param os catraieiros em suas viagens diárias dalí para o mercado e no regresso. A pouca distância fica o largo estuário do Merití, donde a praia vai-se elevando até o lindo rio Serapuí,, cujas margens são bem cultivadas”.

Observação: Praia de Mariangu (atual rua Pirangi, em Olaria), nome indígena de uma ave que habitava todo o chamado recôncavo da Baia de Guanabara, ficava onde se localiza a avenida Lobo Júnior, Penha Circular, até Ramos. A faixa de areia foi tomada pela Avenida Brasil. No atual piscinão de Ramos ficava Apicú. 




Fontes:

LUCCOCK, John. "Notas Sobre o Rio de Janeiro e Partes Meridionais do Brasil", Belo Horizonte: Editora Itatiaia  São Paulo: Editora da USP, 1975

BLOG "Subúrbios do Rio" in: http://suburbiosdorio.blogspot.com.br/2012/03/praia-de-maria-angu.html (acesso em 01/02/2018)



Os engenhos de cana de açúcar na região de Irajá


A cana de açúcar veio da Ásia e foi trazida pelos portugueses ao Brasil no século XVI. A partir da década de 1530, a cana passa a ser cultivada de maneira intensa no Nordeste da colônia portuguesa. Desta planta vinha um produto muito lucrativo: o açúcar. Em diversas partes da América Portuguesa, como o Brasil era conhecido, foram erguidos engenhos para a produção do “ouro branco”. 
Aspecto de um engenho antigo
Foto: Wikimedia Commons
Segundo o geógrafo Maurício de Abreu, pesquisador da evolução urbana da cidade do Rio de Janeiro, 219 engenhos produtores de cana-de-açúcar na região de Irajá/Meriti, região banhada pelos rios Pavuna, Meriti e Sarapuí, que hoje são bairros da cidade do Rio de Janeiro, como Irajá, por exemplo, e outros municípios como São João de Meriti e Caxias, na Baixada Fluminense. Esta contagem é feita entre os anos de 1601 e 1700, ou seja, no século XVII.
Pesquisadores da história do bairro de Irajá acreditam, baseados em documentos e nas experiências de plantio de cana em outras regiões do país na época, que Irajá era uma espécie de “celeiro” do Rio. Essa enorme região produzia não só uma grande quantidade de açúcar, mas desenvolvia outras atividades importantes para dar apoio à produção, tais como olarias, para a fabricação de tijolos e telhas. Havia também a produção de hortifrutigranjeiros, plantações de verduras, frutas e criação de aves, para alimentação. Por fim, havia também a criação de bois e vacas que serviam tanto para produção de leite, abate e força motriz para os engenhos.



Texto: Prof. Fábio de J. de Carvalho – docente de história da unidade escolar e coordenador do projeto Clube de História


Fontes:

ABREU, Mauríco de Almeida. “Um quebra-cabeça ( quase ) resolvido: os engenhos da capitania do Rio de Janeiro – séculos XVI e XVII”  Scripta NOVA REVISTA ELECTRÓNICA DE GEOGRAFÍA Y CIENCIAS SOCIALES , Universidad de Barcelona.  Vol. X, núm. 218 (32), 1 de agosto de 2006 In: http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-32.htm (acesso em 28/03/2017)

RODRIGUES, Agostinho. “Meu Irajá”. Rio de Janeiro: Coletivo Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá, 1999, edição digital. In: http://www.falazonanorte.com.br/downloads/meuiraja.pdf


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Depoimento: d. Zezé e a fábrica de tijolos da comunidade de Para Pedro


Forno antigo de olaria na França
Foto:Wikimedia Commons
A aluna Vitória Moraes, que participou do Clube de História em 2016, nos enviou um depoimento de sua avó sobre uma olaria, ou seja, uma fábrica de tijolos que existiu na comunidade do Para Pedro. A fábrica se localizava na região das Torres, próxima ao CEASA.
D. Maria José Barreto de Moraes, a d. Zezé, tem 87 anos e chegou na comunidade nos anos de 1950. Ela fez o seguinte relato à neta: 


Era uma grande casa que já foi uma olaria A torre já existia nessa época. Ttinha alguns barraquinhos, pouquíssimos. O Ceasa era uma plantação de vagem e agrião. Pessoas plantavam lá. Depois criaram o Ceasa. Tinha um lago bem grande em uma das ruas principais da comunidade. Com isso a primeira moradora veio morar aqui. Meu marido era um trabalhador e morador da olaria. Havia uma estação de trem que vinha pelos bairros da zona norte que passava em Coelho Neto para Colégio... Aonde se localiza o metrô hoje era uma estação de trem [E F Rio D`Ouro]. A Vulcan já estava lá e o bairro já se chamava Colégio

Local onde provavelmente se localizava a antiga olaria
foto: Vitória Moraes

Série "Conheça Irajá" - CEASA

No dia 28 de agosto de 2014, o CEASA fez 40 anos e através desse texto vamos mostrar um pouco de sua história...
No início da década de 1970, o governo federal criou o programa estratégico de desenvolvimento. Uma das prioridades dele era a criação de centrais de abastecimento do país. No Rio de Janeiro, no bairro do Irajá, foi construída a CEASA. Ela passou a funcionar em 28 de agosto de 1974. Ela abastece não só a capital do estado como Meriti, Nova Iguaçu etc.
CEASA, visto da av, Brasil
Foto:Wikimedia Commons
É a segunda maior central de abastecimento da América Latina. Funciona como uma cidade que trabalha dia e noite. Ela comercializa anualmente quase 2 milhões de alimentos. E o CEASA mantém um banco de alimento que relaciona e embala as mercadorias descartadas, que iriam para o lixo, para  instituições.

CONHEÇA!

Av. Brasil, 19001 - Irajá, Rio de Janeiro

Funcionamento: Seg à Sáb  de 7 às 17 h


Texto e pesquisa: Thamyres de Araújo; Maria Eduarda Alves; Sara dos Reis e Caio Bezerra - alunos da turma 1802 (8º ano) e colaboradores do Clube de História em 2018. 

Fonte: Portal do CEASA http://www.ceasa.rj.gov.br/ceasa_portal/view/Ceasa40anosComp.asp?idCeasa40anos=1 (acesso em 13/04/2017)

Série "Conheça Irajá" - Biblioteca Popular de Irajá João do Rio


Foto: fanpage da BP de Irajá
A biblioteca foi fundada em 16 de julho de 1959, com um acervo inicial de 1446 livros, tendo à frente a bibliotecária Aracy Alves Fernandes Guimarães. Começou funcionando em uma loja na avenida Monsenhor Félix, 420. 
Com decreto 10205 de 1991, passou a ser chamada "Biblioteca Popular de Irajá João do Rio".
Em dezembro de 1992, o prefeito Marcello Alencar inaugurou a nova sede na avenida Monsenhor Féliz 512, tendo como patrono um homem que foi jornalista, cronista, tradutor, teatrólogo e membro da Academia Brasileira de Letras. 
Durante o novo período a Biblioteca Regional de Irajá conseguiu ampliar seu âmbito de ação, chegando a ultrapassar sua área de atendimento, aumentando e atualizando seu acervo.

Conheça!

Av. Monsenhor Félix, 512 - Irajá, Rio de Janeiro - RJ, 21361-132 


Horário de funcionamento: Seg à Sex - 9h às 17h


Texto e pesquisa: Alan Dantas; Amanda Lopes; Anny Souza; Arthur Menezes; João Pablo Alves e Thiago Novaes - alunos da turma 1802 (8º ano) e colaboradores do Clube de História em 2018. 

Fonte: Arquivo da Biblioteca Popular de Irajá

OBS: A EM Mendes Viana agradece à Biblioteca Popular de Irajá pela receptividade para com nossos alunos e com o nosso professor de Sala de Leitura, prof. Vinck Vitório, para a realização dessa pesquisa.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Depoimento: d. Gilcinéa e os primeiros anos morando na Para Pedro

Algumas pessoas estão sendo convidadas a compartilharem com a gente suas memórias. Muitas vezes isso se dá em entrevistas ou pequenos depoimentos. O depoimento de hoje é de d. Gilcinéa Ferreira, antiga moradora da Para Pedro e aluna da Mendes Viana  nos anos de 1960. Nos enviou suas memórias pelo Facebook. Ela se tornou  professora, mas não exerce mais a profissão,e diz ser muito grata, assim como seus irmãos, por tudo que aprendeu na Mendes 

Meus pais vieram de Guapimirim em 1957, recém casados, morar perto dos irmãos mais velhos, pois tenho, ainda hoje, parentes que moram no bairro [Irajá]. Meus pais casados, sem estudos e qualificação profissional, foram morar nas ruas do bairro de Colégio, Jurucê e Jabotiana. Logo meu pai com três filhos ficou desempregado. Eu tinha 5 anos e fui morar no Para Pedro, a nossa alimentação muitas vezes eram os peixes da lagoa,. A comunidade tinha muita gente vinda de Guapimirim provavelmente os primeiros moradores, pessoas do Norte , Minas Gerais, etc...

D. Gilcinéa nos conta a curiosa história da lagoa que existia na comunidade de Para Pedro e sobre os primeiros anos da comunidade:  
Vista parcial da comunidade do Para Pedro, em frente à Mendes
Foto: prof. Fábio Carvalho

Sim, eu e meus irmãos pescamos muitas vezes lá, Tinha peixes como: Acará, Piabas e um peixe estranho tipo uma cobra que chamavam de mussum, usávamos escorredor de macarrão para pescar e tinha muito peixe.

Era mais para dentro do Para Pedro,pois em frente à escola [a Mendes Viana] era uma horta onde todos compravam verduras e legumes. A lagoa ficava perto da bica onde todos pegavam água, pois não tinha água nas residências.
Para Pedro foi o nome dado à comunidade (favela, como se dizia), pois seu Moisés na sua barraca saudava os moradores com "bom dia" do alto falante e falava o nome de cada morador. Ele morava lá no campo em frente da Vulcan e colocava a música "Para, Pedro! Pedro, para!" , ficando assim a música com título da comunidade.
Os primeiros moradores foram: dona Rodinéa, tio Arnaldo, dona Eloá, tio Jair, "seu" Moisés e em seguida nossa família. Não era uma favela, tornou-se com a chegada de pessoas de outros lugares, tanto que  em 1971 o  governo tentou acabar com a comunidade dando apartamentos da COABH [companhia de habitação que construía casas populares] , para os moradores. Saiu muita gente. Quase acabou. Mas com o tempo ela voltou a crescer. Em 1972 eu me mudei,mas não tenho nenhum tipo de trauma de falar de onde vim,que morei sem água e luz em casa. Porém meu pai teve a oportunidade de estudar fazendo desde o antigo MOBRAL [Movimento Brasileiro de Alfabetização, programa que visava alfabetizar jovens e adultos entre os anos 1960 e 1980] até a Faculdade de Enfermagem "Luiza de Marilac" e se tornou um dos melhores instrumentadores cirúgicos que já conheci, instrumentando no Hospital Clementino Fraga ( Fundão) e no hospital Geral de Bonsucesso. Então, nossa vida mudou. Meu avô materno deixou uma herança e assim começamos uma nova vida. E com Jesus o Cristo ao meu lado sou feliz. Bom dia!

No princípio era Eiraîá


Tupinambás
Foto: gravura de Theodor de Bry - Wikimedia Commons
Antes da chegada dos colonizadores portugueses à região era uma aldeia indígena. Essa aldeia de índios tupinambás tinha o nome de Eiraîá e se estendia ao longo do atual rio Irajá. Documentos franceses datados do século XVI, mais precisamente por volta dos anos 1550, citam esta aldeia. Era, com certeza, bastante considerável o número de indígenas deste agrupamento.
A fauna e a flora ao longo do rio Irajá eram exuberantes. Muitas árvores, plantas, flores, frutos e diversos animais silvestres. Terra de beleza, mas também de caça, pesca e coleta abundantes. Isso pode explicar porque este grupo indígena se fixou na região.
Provavelmente isso é um aportuguesamento da palavra tupi eiraîá. O significado pode ser “repleto de mel”, “como as abelhas” ou se refira a um mamífero chamado irara, da família do furão, que habitava a região. O nome desse mamífero podia ser o nome do morubixaba, chefe da aldeia.
Irara ou Papa - Mel
Foto: Wikimedia Commons
Há uma lenda que é muito repetida, inclusive,  na qual os indígenas teriam confundido o melaço, o líquido da cana moída, com o mel. Por isso, alguns acreditam que o significado seja “o mel brota”. Pesquisas recentes não acreditam nessa hipótese. Certo é que esta região do Rio de Janeiro foi a que manteve quase sem mudança o seu original nome indígena.


Texto: Prof. Fábio de J. de Carvalho – docente de história da unidade escolar e coordenador do projeto Clube de História


Fontes:


MULTIRIO - Web Rádio, programa "Caminhos Cariocas - Irajá" in: http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/ouca/webradio/2297-iraja (acesso em 01/04/2018)

SILVA, Rafael Freitas da. "O Rio antes do Rio",  Rio de Janeiro: Ed. Babilônia, 3ª ed., 2017


Como surgiu o Clube de História?

Alunos do Clube  2017 organizando fotos antigas da Mendes
Foto: prof. Fábio Carvalho

Nossa escola, pelo menos desde 2013, tem a tradição de promover atividades no contra turno para os alunos. Sempre incentivou os projetos ligados ao “Mais Educação”, abriu suas portas, com a autorização de pais e responsáveis, a alunos que quisessem utilizar a sala de leitura e outras dependências como local de estudo. Incentivava a formação de plateia através de projetos culturais e aulas de campo envolvendo professores de História, Artes, Língua Portuguesa, Ciências e outras disciplinas como forma de enriquecer o currículo.
As primeiras disciplinas a formarem núcleos de discussão foram Matemática e Língua Portuguesa, através do professor Gonzaga e da professora Natália Nascimento, que não se encontra mais na unidade. O professor Luiz Gonzaga incentivou a formação do Clube de Matemática, onde um grupo de alunos se reunia para resolver e debater questões de concursos de escolas técnicas. A professora Natália promovia com as alunas discussões do universo feminino onde poderiam discutir textos e ter lugar de fala. Experiência interessante onde as meninas teriam um espaço livre para se expressar, falar de medos, dúvidas, contar suas histórias e seus sonhos.
Em 2016, ano de comemoração dos 50 anos da Mendes Viana, não encontrei na escola elementos para fomentar nossas comemorações. A documentação era dispersa, quase nula, as narrativas sobre nossa história eram desencontradas, inclusive em locais como o Centro de Referência da Educação Pública, o CREP, onde era muito pequena a quantidade de documentos sobre nossa unidade.
Quando surgiu a ideia de um grupo de pesquisas para cuidar do patrimônio cultural de nossa escola, pensei em colocar nomes como: “Centro de Memória” ou “Núcleo de Documentação e Memória”. Percebi que era sério demais e que afastava os alunos. Adotei o nome de “Clube”, tomado de empréstimo às atividades de Matemática. “Clube” dá a ideia de um lugar para se estar por querer, livre das obrigações comuns à aula. Era lugar de estar animado para aprender coisas novas.
1º grupo de alunos do clube entrevistando ex-alunos de 1980
Foto: prof. Fábio Carvalho


O primeiro Clube de História foi formado por um pequeno grupo alunos da turma 1902 daquele ano: Vitória, Dayane, Antônia, Natanael e Rafaela. Hoje estão no Ensino Médio. Juntos discutimos alguns fundamentos da disciplina de História, buscamos documentos, entrevistamos ex-alunos e promovemos uma exposição sobre os 400 anos do bairro de Irajá e os 50 anos da Mendes Viana. A exposição foi uma experiência multidisciplinar onde participaram os professores de Artes (Mauro Macedo) e Música (Heber Paiva), incentivados por nossa coordenadora pedagógica Elizete Alves. A parceria com o Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá (IHGBI), coletivo de pesquisadores que atuam na preservação da história de Irajá e bairros próximos, foi muito importante pois nos garantiu o empréstimo de fotos e apoio à pesquisa. A experiência foi tão feliz que me animou a buscar o curso de mestrado em ensino de História e utilizar esta experiência como incentivo para voltar a estudar e pesquisar.
Em 2017, o núcleo se manteve com a participação dos alunos da turma 1701 que eram matriculados na oficina de Patrimônio Cultural do Mais Educação. Experiência muito bem sucedida também. Ampliamos nosso grupo de alunos e com isso conseguimos mais parcerias e documentos para compor o acervo da escola.
No corrente ano de 2018, temos alunos das turmas 1901 e 1802 participando do Clube. Este blog é a culminância de um projeto que se iniciou há dois anos. Seria uma espécie de “Museu Virtual” para a escola e a comunidade do entorno. Uma maneira de que toda essa trajetória não se perca no tempo mais uma vez.

Texto: Prof. Fábio de J. de Carvalho – docente de história da unidade escolar e coordenador do projeto Clube de História

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Os nossos 50 anos foram notícia em 2016 !!!!

Comemoração do Cinquentenário da E. M. Mendes Viana (5ªCRE)

A Escola Municipal Mendes Viana contou com a mobilização de toda a comunidade escolar para fazer do ano de 2016 um ano de comemorações pelo “Cinquentenário” dessa escola, e foram além, compartilhando esse excelente trabalho concretizado pela direção, por professores e alunos com o nosso Portal Rioeduca e com todos os segmentos da nossa rede municipal de ensino.

Foto: prof. Mauro Macedo
Ao longo deste ano, foram realizadas diversas ações interdisciplinares com a finalidade de celebrar os 50 anos da instituição, resgatando sua memória e história, assim como a memória e história do bairro de Irajá, onde a escola se localiza. O esforço foi de trabalhar a identidade do grupo escolar e comunidade, criando um sentimento de pertencimento a partir do reconhecimento do meio, sua construção e evolução.
Diversas atividades exitosas foram desenvolvidas, como: 
Foto: prof. Mauro Macedo
  • Entrevistas com ex-alunos e moradores da região; 
  • Incursão à igreja Nossa Senhora da Apresentação à procura de documentos e evidências; 
  • Parceria com Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá - IHGBI e com o professor doutor Justino (UNIRIO); 
  • Criação artística do Brasão do Cinquentenário; 
  • Criação da melodia do hino da escola, a partir de letra encontrada por ex-alunos, dentre outras. 
A culminância desse processo ocorreu no sábado, dia 05/11, em uma vernissage, com exposição de documentos históricos (fotos, relatos, diários, etc.) da escola e bairro, antecedida por preleção da direção da escola, dos professores idealizadores e diretamente envolvidos (Fábio Carvalho, Mauro Macedo e Marcus Heber), além do convidado especial, historiador, professor doutor, Justino. Contou-se com a presença da professora Celeste do IHGBI, de professores da escola, alunos, pais e ex-alunos.
A exposição continuou aberta ao público até o dia 11/11.
A seguir, o registro da inauguração da exposição, assim como o convite que a escola divulgou nas redes sociais:
"O ano de 2016 é de celebração na Escola Municipal Mendes Viana. Neste ano, a escola, situada na Estrada do Colégio n°940, no bairro de Irajá, completa cinquenta anos de fundação. O cinquentenário foi o mote para um projeto interdisciplinar de resgate da memória e da história local, envolvendo História (prof. Fábio Carvalho), Artes Visuais (prof. Mauro Macedo), Música (prof. Marcus Heber) e sala de leitura (prof. Vitório), sob a coordenação da professora Elizete Alves.
A ESCOLA CONVIDA A TOD@S PARA UMA EXPOSIÇÃO, que foi inaugurada no sábado (dia 05/11), com a presença do professor-Doutor Justino (UniRio) e da Professora Celeste (membro do Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá-IHGBI), pais e alunos.
A exposição, intitulada "IRAJÁ 400 ANOS NOS 50 ANOS DA MENDES VIANA" traz fotos históricas de Irajá e documentos referentes à memória da unidade de ensino, como: fotos, diários oficiais e o primeiro livro tombo da sala de leitura.
HORÁRIOS DE VISITAÇÃO: 07/11 a 11/11: manhã (10h50 ao meio-dia) tarde (13h30 às 14h30). Venham participar dessa comemoração com nossa comunidade escolar!"
Parabéns ao trabalho de excelência e comprometimento de todos os profissionais que compõem essa unidade escolar. Comemorar cinquenta anos de existência de uma escola onde se promove e valoriza a qualidade do ensino é uma ação de grande relevância para nossa rede de ensino!
Publicado originalmente por: http://www.rioeduca.net/blogViews.php?bid=14&id=5742 (acesso em 20/12/2016)