sexta-feira, 11 de maio de 2018

DESCOBERTA: localizado o livro mais antigo da Sala de Leitura!

FICHA: Livro Tombo ou Livro de Registro de Acervo  

-Data da pesquisa: dias 9 e 11 de maio de 2018.
Livro Tombo
Foto: Nayara Ribeiro


-Analisado por: parte dos membros do Clube de História de 2018, a saber: Tatiana Alves, João Dulcino, Nayara Ribeiro, Pedro Santos, Yane Alves, Jhonatan Vita (alunos da turma 1901, 9ºano).

- O que é? Caderno criado para anotar  os livros que estavam na escola entre os anos de 1966 e 1975.

- Descrição: Foi criado em 1966 e foi concluído em 1975. Possui quatro bibliotecárias - Yeddir Villaça Duarte (1966-1968), Dayse Camanzi e Marly Augusta Moraes (1969-1970), Dayse Camanzi e Vanda Vianna da Silva (1971). Até o dia 14/03/1975 foram registrados 1603 livros.

Tivemos a ideia de buscar a referência no livro e descobrir se ainda tinha algum na escola e pedimos ajuda ao professor Vitório, da Sala de Leitura. Encontramos um "Dicionário de Plantas", registrado em 1969, com o nome errado de "Dicionário de Sinônimos".
Descobrimos também que o antigo nome de nossa Sala de Leitura era "Biblioteca Monteiro Lobato".

Livro mais antigo do acervo da Mendes
Foto: Nayara Ribeiro

Capa do "Dicionário de Plantas"
Foto: Nayara Ribeiro



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Entrevista:Marcinha, de ex-aluna à funcionária da Mendes Viana

Márcia Batista, muitos anos de Mendes
Foto: acervo da entrevistada
Mais uma entrevista pensada pelos alunos do Clube de História para preservar a memória dos ex-alunos. Márcia Cristina Batista, a Marcinha, é a entrevistada de hoje. Tem uma história curiosa: foi aluna e retornou à escola como funcionária. Apelidada carinhosamente de " Tia Márcia da Cozinha", pelos alunos. Hoje trabalha no CIEP D. Oscar e é moradora atuante da comunidade do Para Pedro.

Clube de História: Em que época estudou na Mendes? 
Márcia Batista: Década de 80. Terminei em 87.

CH: Como era o prédio da escola? 
MB: Não houve mudanças na estrutura do prédio, a única coisa diferente eram as mesas do refeitório. Feitas de pedra.

CH: Como era a merenda?
MB: Muito gostosa. Tão gostosa que repetíamos. Ainda sinto o gosto ao lembrar. O filme volta em nossa memória.

CH: Os professores eram atenciosos?
MB: Todos eram atenciosos. Na verdade, existia uma cumplicidade aluno-professor, viravam amigos. Muitos até confidentes, tipo pai e filho.

CH: Como era a rotina nos dias de aula?
MB: Tínhamos horários para entrar, merendar, ir ao banheiro, aulas na quadra e muitas vezes íamos à bibliotecas. Sair mais cedo, só com autorização dos responsáveis. Quando alguém faltava iam em grupos à nossa residência saber o porquê.   
Detalhe de convite de formatura da entrevistada
Foto: Fábio Carvalho - acervo da entrevistada

CH: Os alunos cantavam os hinos cívicos? E o hino da escola?
MB: Sim, com frequência. Coisa linda! Colocávamos a mão no peito com muito orgulho, ficávamos parados, com respeito, até a bandeira ser hasteada no mastro.

CH: Qual lembrança mais viva você tem de sua época na Mendes?
MB: O dia da formatura. Tudo feito por nós e nossos pais. Uma choradeira com a música do Milton Nascimento - "Amigo é coisa pra se guardar..." [ela se refere à "Canção da América]- e nossa promessa de nunca nos esquecermos uns dos outros.

CH: Como foi ser aluna da Mendes e depois se tornar funcionária?
MB: Foi algo que não dá pra descrever, tamanha emoção. Quando cheguei no Mendes para trabalhar, subi as escadas à procura de meus mestres, até cair em si que todos não mais lecionavam. Passou um filme de quanto o tempo passou. E aquela menina que hoje se tornou mulher ( mãe de família)que sonhos e promessas feitas, algumas não foram realizadas. E o inimaginável aconteceu: voltei aquele lugar agora como adulta e muitas responsabilidades. E o tempo que estive aqui, agora nos bastidores, sempre por orgulho da minha escola, fazia e faço questão de falar: sou ex-aluna do Mendes Viana.

CH: Gostaria de deixar uma mensagem para a comunidade escolar da Mendes de hoje?
MB: Aproveitem todas as oportunidades que hoje lhe são dadas, porque hoje são melhores que as de ontem. Na minha época não tínhamos material, uniformes, tínhamos apenas sonhos. 
Convite da formatura da turma de 87
Foto: Fábio Carvalho - acervo particular da entrevistada


sábado, 28 de abril de 2018

Depoimento: John Luccock e os subúrbios


John Luccock, comerciante inglês que esteve no Rio em 1808, 1813 e 1818, deixa relatos interessantíssimos sobre os subúrbios do Rio de Janeiro, naqueles tempos chamados de "arrabaldes", de locais que hoje são bairros como a Penha, Irajá e Pavuna. Os subúrbios eram locais de passeios ao ar livre e um convite aos naturalistas e botânicos fazerem suas pesquisas. A natureza da região era belíssima. Rios limpos, árvores e frutos de todos os tipos e muitos animais da floresta ainda preservada. 

Da Pavuna e arredores, o viajante do século XIX fala de montanhas cobertas de arvoredos, lugares com muita caça, numerosas lagoas com muitas aves. Luccock relata que em pontos, às margens do rio Meriti, o solo “era extraordinariamente rico e, nos trechos suficientemente secos, produzia safras volumosas de açúcar, milho e mandioca” 
Gravura de Rugendas que nos dá uma ideia de como era a natureza dos arredores do Rio
Foto: Wikimedia Commons
Sobre a Penha e Irajá: 

“A pequena aldeia de Mariangú fica num local baixo e arenoso, semeado de charcos e, na aparência, insalubre. Cerca de duas milhas distante por detrás dela, acha-se um rochedo perpendicular de granito com mais de três mil pés de alto e em cujo cume se encontra a igreja de Nossa Senhora da Penha, constituindo linda perspectiva de vários pontos da baía e que antigamente era o cenário anual de grandes festividades. Quatro milhas mais além e pela mesma praia chata, na foz de um riacho raso mas amplo de mesmo nome, fica a aldeia do Irasá (sic). As poucas míseras cabanas que a compõem pertencem, creio eu, ao vilarejo de Irajá e se dispõem sobre um outeiro rochoso, gozando de bela vista dos estreitos e da baía. A costa pedregosa e as águas rasas devem alí criar grandes dificuldades até mesmo para canoas; daí, provavelmente, seu nome, que mais ou menos corresponde a uma exclamação de tédio.  Bem ao largo desse ponto fica a ilhota de Saqueté, que forma um belo objeto da paisagem munida, como muitas das outras ilhas, de um cais e de uma “vivenda”, em que param os catraieiros em suas viagens diárias dalí para o mercado e no regresso. A pouca distância fica o largo estuário do Merití, donde a praia vai-se elevando até o lindo rio Serapuí,, cujas margens são bem cultivadas”.

Observação: Praia de Mariangu (atual rua Pirangi, em Olaria), nome indígena de uma ave que habitava todo o chamado recôncavo da Baia de Guanabara, ficava onde se localiza a avenida Lobo Júnior, Penha Circular, até Ramos. A faixa de areia foi tomada pela Avenida Brasil. No atual piscinão de Ramos ficava Apicú. 




Fontes:

LUCCOCK, John. "Notas Sobre o Rio de Janeiro e Partes Meridionais do Brasil", Belo Horizonte: Editora Itatiaia  São Paulo: Editora da USP, 1975

BLOG "Subúrbios do Rio" in: http://suburbiosdorio.blogspot.com.br/2012/03/praia-de-maria-angu.html (acesso em 01/02/2018)



Os engenhos de cana de açúcar na região de Irajá


A cana de açúcar veio da Ásia e foi trazida pelos portugueses ao Brasil no século XVI. A partir da década de 1530, a cana passa a ser cultivada de maneira intensa no Nordeste da colônia portuguesa. Desta planta vinha um produto muito lucrativo: o açúcar. Em diversas partes da América Portuguesa, como o Brasil era conhecido, foram erguidos engenhos para a produção do “ouro branco”. 
Aspecto de um engenho antigo
Foto: Wikimedia Commons
Segundo o geógrafo Maurício de Abreu, pesquisador da evolução urbana da cidade do Rio de Janeiro, 219 engenhos produtores de cana-de-açúcar na região de Irajá/Meriti, região banhada pelos rios Pavuna, Meriti e Sarapuí, que hoje são bairros da cidade do Rio de Janeiro, como Irajá, por exemplo, e outros municípios como São João de Meriti e Caxias, na Baixada Fluminense. Esta contagem é feita entre os anos de 1601 e 1700, ou seja, no século XVII.
Pesquisadores da história do bairro de Irajá acreditam, baseados em documentos e nas experiências de plantio de cana em outras regiões do país na época, que Irajá era uma espécie de “celeiro” do Rio. Essa enorme região produzia não só uma grande quantidade de açúcar, mas desenvolvia outras atividades importantes para dar apoio à produção, tais como olarias, para a fabricação de tijolos e telhas. Havia também a produção de hortifrutigranjeiros, plantações de verduras, frutas e criação de aves, para alimentação. Por fim, havia também a criação de bois e vacas que serviam tanto para produção de leite, abate e força motriz para os engenhos.



Texto: Prof. Fábio de J. de Carvalho – docente de história da unidade escolar e coordenador do projeto Clube de História


Fontes:

ABREU, Mauríco de Almeida. “Um quebra-cabeça ( quase ) resolvido: os engenhos da capitania do Rio de Janeiro – séculos XVI e XVII”  Scripta NOVA REVISTA ELECTRÓNICA DE GEOGRAFÍA Y CIENCIAS SOCIALES , Universidad de Barcelona.  Vol. X, núm. 218 (32), 1 de agosto de 2006 In: http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-32.htm (acesso em 28/03/2017)

RODRIGUES, Agostinho. “Meu Irajá”. Rio de Janeiro: Coletivo Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá, 1999, edição digital. In: http://www.falazonanorte.com.br/downloads/meuiraja.pdf


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Depoimento: d. Zezé e a fábrica de tijolos da comunidade de Para Pedro


Forno antigo de olaria na França
Foto:Wikimedia Commons
A aluna Vitória Moraes, que participou do Clube de História em 2016, nos enviou um depoimento de sua avó sobre uma olaria, ou seja, uma fábrica de tijolos que existiu na comunidade do Para Pedro. A fábrica se localizava na região das Torres, próxima ao CEASA.
D. Maria José Barreto de Moraes, a d. Zezé, tem 87 anos e chegou na comunidade nos anos de 1950. Ela fez o seguinte relato à neta: 


Era uma grande casa que já foi uma olaria A torre já existia nessa época. Ttinha alguns barraquinhos, pouquíssimos. O Ceasa era uma plantação de vagem e agrião. Pessoas plantavam lá. Depois criaram o Ceasa. Tinha um lago bem grande em uma das ruas principais da comunidade. Com isso a primeira moradora veio morar aqui. Meu marido era um trabalhador e morador da olaria. Havia uma estação de trem que vinha pelos bairros da zona norte que passava em Coelho Neto para Colégio... Aonde se localiza o metrô hoje era uma estação de trem [E F Rio D`Ouro]. A Vulcan já estava lá e o bairro já se chamava Colégio

Local onde provavelmente se localizava a antiga olaria
foto: Vitória Moraes

Série "Conheça Irajá" - CEASA

No dia 28 de agosto de 2014, o CEASA fez 40 anos e através desse texto vamos mostrar um pouco de sua história...
No início da década de 1970, o governo federal criou o programa estratégico de desenvolvimento. Uma das prioridades dele era a criação de centrais de abastecimento do país. No Rio de Janeiro, no bairro do Irajá, foi construída a CEASA. Ela passou a funcionar em 28 de agosto de 1974. Ela abastece não só a capital do estado como Meriti, Nova Iguaçu etc.
CEASA, visto da av, Brasil
Foto:Wikimedia Commons
É a segunda maior central de abastecimento da América Latina. Funciona como uma cidade que trabalha dia e noite. Ela comercializa anualmente quase 2 milhões de alimentos. E o CEASA mantém um banco de alimento que relaciona e embala as mercadorias descartadas, que iriam para o lixo, para  instituições.

CONHEÇA!

Av. Brasil, 19001 - Irajá, Rio de Janeiro

Funcionamento: Seg à Sáb  de 7 às 17 h


Texto e pesquisa: Thamyres de Araújo; Maria Eduarda Alves; Sara dos Reis e Caio Bezerra - alunos da turma 1802 (8º ano) e colaboradores do Clube de História em 2018. 

Fonte: Portal do CEASA http://www.ceasa.rj.gov.br/ceasa_portal/view/Ceasa40anosComp.asp?idCeasa40anos=1 (acesso em 13/04/2017)

Série "Conheça Irajá" - Biblioteca Popular de Irajá João do Rio


Foto: fanpage da BP de Irajá
A biblioteca foi fundada em 16 de julho de 1959, com um acervo inicial de 1446 livros, tendo à frente a bibliotecária Aracy Alves Fernandes Guimarães. Começou funcionando em uma loja na avenida Monsenhor Félix, 420. 
Com decreto 10205 de 1991, passou a ser chamada "Biblioteca Popular de Irajá João do Rio".
Em dezembro de 1992, o prefeito Marcello Alencar inaugurou a nova sede na avenida Monsenhor Féliz 512, tendo como patrono um homem que foi jornalista, cronista, tradutor, teatrólogo e membro da Academia Brasileira de Letras. 
Durante o novo período a Biblioteca Regional de Irajá conseguiu ampliar seu âmbito de ação, chegando a ultrapassar sua área de atendimento, aumentando e atualizando seu acervo.

Conheça!

Av. Monsenhor Félix, 512 - Irajá, Rio de Janeiro - RJ, 21361-132 


Horário de funcionamento: Seg à Sex - 9h às 17h


Texto e pesquisa: Alan Dantas; Amanda Lopes; Anny Souza; Arthur Menezes; João Pablo Alves e Thiago Novaes - alunos da turma 1802 (8º ano) e colaboradores do Clube de História em 2018. 

Fonte: Arquivo da Biblioteca Popular de Irajá

OBS: A EM Mendes Viana agradece à Biblioteca Popular de Irajá pela receptividade para com nossos alunos e com o nosso professor de Sala de Leitura, prof. Vinck Vitório, para a realização dessa pesquisa.